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Pesquisa científica de MS se transforma em negócio lucrativo com o Programa Centelha

A Selkis Biotech exemplifica o sucesso do fomento à tecnologia. Nova edição do Centelha é lançada, buscando mil ideias inovadoras e ofertando mais de seis milhões de reais em investimento.

16/04/2026 às 10:20
Por: Redação

A capacidade de transformar uma ideia nascida em ambiente de pesquisa acadêmica em uma empresa próspera, geradora de empregos e soluções tecnológicas avançadas, é evidenciada pelo sucesso da Selkis Biotech, sediada em Mato Grosso do Sul. A trajetória da companhia destaca como o apoio financeiro público, vindo de recursos federais e estaduais, é crucial para que a ciência se converta em empreendedorismo.

 

A Selkis Biotech foi um dos empreendimentos contemplados pela segunda edição do Programa Centelha em Mato Grosso do Sul, o Centelha 2 - MS. A empresa é especializada na produção de peptídeos sintéticos, que são moléculas complexas formadas por cadeias de aminoácidos, essenciais para diversas aplicações científicas, incluindo pesquisas biomédicas, o desenvolvimento de novos medicamentos, a formulação de vacinas, entre outras finalidades.

 

Da bancada do laboratório ao mercado

 

O pesquisador e fundador da Selkis Biotech, Ludovico Migliolo, detalha que a origem da empresa remonta a uma ideia cultivada ao longo de sua trajetória acadêmica. Ele aprimorou a técnica de síntese de peptídeos por meio de publicações e especializações, o que permitiu o desenvolvimento de moléculas sintéticas.

 

“A Selkis nasceu de uma ideia inicial que eu venho desenvolvendo ao longo da minha carreira de pesquisador, à medida que eu ia publicando artigos, me especializando em sínteses de peptídeos. É uma técnica bem definida, bem difundida, onde a gente consegue construir moléculas sintéticas”

 

A criação da empresa também foi impulsionada por uma preocupação com o mercado de trabalho. Migliolo observou uma lacuna na absorção de profissionais qualificados no campo da pesquisa científica, como estudantes de mestrado e doutorado, e buscou uma solução para esse desafio.

 

“À medida que eu ia formando recursos humanos, esses alunos de mestrado e doutorado, o mercado não estava absorvendo. E com essa falta de absorção do mercado e tendo essa minha carreira, eu comecei pensar em como melhorar isso”

 

Foi a partir da participação no Programa Centelha que a Selkis Biotech obteve o suporte necessário para estruturar suas operações e iniciar a fabricação de peptídeos sintéticos no estado. Pedro Henrique de Oliveira Cardoso, sócio da Selkis Biotech, ressalta a complexidade de empreender no setor durante a formação acadêmica, destacando a necessidade de equilibrar o rigor científico com uma visão inovadora e estratégica.

 

“Empreender em uma empresa como a Selkis, ainda durante a formação acadêmica, exige conciliar o rigor científico com uma visão estratégica de inovação. Trabalhar com uma equipe formada por pesquisadores em diferentes níveis de formação fortalece a multidisciplinaridade e permite que as decisões sejam baseadas em evidências”

 

Atualmente, a Selkis mantém um completo inventário de reagentes, resinas e aminoácidos, o que lhe confere autonomia para realizar todas as etapas da produção dessas moléculas. O processo abrange desde a síntese inicial até a purificação e validação, garantindo um elevado grau de pureza nos produtos finais.

 

Ludovico Migliolo enfatiza a importância do programa como um catalisador fundamental para o avanço da empresa, ao fornecer a subvenção econômica necessária para impulsionar suas atividades.

 

“O Centelha foi a principal subvenção econômica, a principal alavanca para jogar a gente para frente. Hoje a gente tem uma independência de produzir peptídeo dentro do Estado com a melhor qualidade possível”

 

Cardoso complementa que os recursos do Centelha foram cruciais para mitigar os riscos inerentes à fase inicial do empreendimento, conferindo maior segurança na transição da pesquisa para o mercado e, consequentemente, fortalecendo a base científica da Selkis.

 

“A subvenção do Centelha econômica reduziu riscos iniciais e proporcionou maior segurança na transição da pesquisa para o mercado, fortalecendo a base científica do empreendimento”

 

Abertas as inscrições para o Centelha 3

 

A terceira edição do Programa Centelha, denominada Centelha 3, está programada para ser lançada em 27 de março. O objetivo principal desta nova fase é oferecer suporte a projetos inovadores que ainda estão em suas etapas iniciais, particularmente nos estágios de ideação e prototipagem, onde os desafios e riscos tecnológicos e de mercado são mais acentuados.

 

Em âmbito nacional, o programa é conduzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), através da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A iniciativa conta com a colaboração do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e da Fundação CERTI.

 

No estado de Mato Grosso do Sul, a execução do Centelha fica sob a responsabilidade da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), que é uma entidade vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

 

O edital da nova edição prevê a seleção de até 47 propostas, considerando a disponibilidade orçamentária. Cada projeto selecionado poderá receber até oitenta e nove mil e seiscentos reais em subvenção econômica, uma modalidade de financiamento que dispensa a necessidade de reembolso. Adicionalmente, cada iniciativa pode ser beneficiada com até quarenta e cinco mil e quinhentos reais em Bolsas de Fomento Tecnológico e Extensão Inovadora, concedidas pelo CNPq. O investimento total previsto para o Centelha 3 atinge a marca de seis milhões e trezentos mil reais.

 

Podem se candidatar ao programa indivíduos com ideias inovadoras, incluindo inventores, pesquisadores, professores e empreendedores. Empresas nascentes que possuam até doze meses de existência também são elegíveis. É um requisito que todos os participantes submetam suas propostas como pessoa física e, caso sejam aprovados, deverão formalizar uma empresa com CNPJ em Mato Grosso do Sul para que possam receber os benefícios oferecidos pelo programa.

 

O período de inscrições para o Centelha 3 se estende de 27 de março a 11 de maio de 2026. Os interessados devem realizar suas inscrições por meio do sistema Sigfundect, acessível no site da Fundect. Nas duas edições anteriores do programa no estado, um total de 79 startups foram selecionadas, beneficiando-se de mais de cinco milhões e novecentos mil reais em investimentos. No histórico do Centelha, foram 809 ideias submetidas nas etapas anteriores. Para a terceira edição, a expectativa é alcançar a marca de mil ideias inscritas.

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